segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pirataria e o Software

O conceito de fazer uma vez e vender muitas o mesmo trabalho tem fascinado muitas empresas do vale do silício e no mundo todo. Desde que Bill Gates fundou a Microsoft ele percebeu o potencial disso. Na realidade ele mesmo experimentou em 1ª mão a pirataria. Antes os programas de computador eram vendidos com as máquinas.

A IBM não cobrava pelo Software por que ela estava no ramo de vender "caixas" a preços estratosféricos. As empresas pagavam, porque elas necessitavam desesperadamente dos benefícios trazidos pelos computadores. Assim com os lucros obtidos com a venda do hardware ela basicamente desenvolvia todo software básico necessário e os clientes desenvolviam seus próprios programas. Mas em meados dos anos 70 isso começou a mudar e cada vez mais companhias produziam programas que eram vendidos separadamente do Hardware. A idéia inicial era justa. Uma empresa desenvolve um programa e isso custa dinheiro. Então ela deveria cobrar por cada cópia vendida para cobrir os custos e ter um lucro justo. Quando os mainframes passaram a ter múltiplos usuários uma mina de ouro foi descoberta os programas passaram a ser vendidos, por usuário ou até mesmo condicionado a memória e capacidade de processamento. Não era incomum para as empresas ao fazerem um upgrade da máquina terem que reconsiderar os custos da licença do software que apesar de não mudar em nada, passaria a custar mais!

Com os microcomputadores essa foi seguindo sendo uma relação complicada e usualmente o software para micro computadores era vendido por máquina. Mas a indústria de informática necessita de padrões. Quando a IBM ditava as regras todo o software que rodava em uma máquina IBM era basicamente o mesmo. Ao chegarem os microcomputadores os problemas de padronização ficaram evidentes. Assim algum software que se tornava “popular” logo acabava se tornando o padrão de fato do mercado.

Percebendo isso algumas empresas como a McAfee (John McAfee), da “McAfee anti-virus” e a Pkware (Phill Katz) do PKZIP, notaram que seus programas não se tornariam sucesso em meio a muitos outros se não fossem conhecidos. Para isso eles resolveram distribuí-los de graça, ou quase. Devido a isso esses programas foram por muito tempo sinônimo de antivírus e compactador. Nasciam assim os sharewares. Programas que eram distribuídos gratuitamente que podiam ser usados por um período, ou ainda indefinidamente. Mas se você desejasse uma licença ou atualizações deveria comprá-los. Tipo uma amostra grátis.

Essa prática é comum hoje e vários fabricantes investem em produtos gratuitos com intuito de fisgar o consumidor e tornar-se padrão do mercado ou pelo menos uma referência e então poder cobrar e recuperar todo o investimento. É um risco. Muitas companhias não chegam a ter êxito, mas a maioria delas recupera o que investiu só com a venda de licenças para empresas (nesses casos os produtos não costumam ser gratuitos).

Mas porque arriscar dar o seu produto de graça?

Porque o prêmio se essa estratégia der certo é a fortuna. Uma fortuna muitas vezes maior tudo o que foi gasto no desenvolvimento. Por exemplo, a PKWARE durante anos deu o produto de graça. Existiam outros programas semelhantes (LHARC, ARJ, etc), mas sua estratégia se tornou tão bem sucedida que logo ZIP se tornou um padrão de fato. Quando isso aconteceu você podia mandar um arquivo “zipado” para qualquer pessoa, porque você sabia que ela teria acesso ao programa para descompactar. As empresas recebiam arquivos nesse formato, logo se viram obrigadas a comprar licenças do produto. Após algum tempo o “zipar” se tornou sinônimo de compactação e entrou para o vocabulário informático (quem sabe talvez entre até para o Aurélio). Dezenas de milhões de pessoas usavam esse programa e alguns milhões pagavam uma taxa irrisória por ele, mas se você fatura apenas US$ 1 de 40 milhões de usuários...você fica muito rico.

Os Sistemas Operacionais e as Suítes de Escritório

Mas nem sempre o shareware foi a maneira que a indústria para seus  programas virarem padrão do mercado. A Microsoft comprou por US$ 50 mil o DOS de outra pessoa e o licenciou para a IBM para que ele fosse vendido com cada máquina. Logo o DOS se tornaria um padrão, simplesmente por que era essencial para usar quase todo computador.

Mais tarde a Microsoft, abordou a Apple para que eles o deixassem desenvolver programas para a Apple Lisa (o 1º computador com sistema operacional gráfico), e a Microsoft simplesmente pirateou as idéias de Steve Jobs. Na verdade Steve Jobs também pirateou as idéias da Xerox Parc (assistam ao filme Os Piratas de Silicon Valley). Usando dinheiro que a IBM pagava a Microsoft para que ela desenvolvesse um sistema operacional gráfico para os IBM PC (o finado OS/2) a Microsoft desenvolveu o Windows. Tudo isso foi alvo de litígio judicial. A própria Microsoft surgiu da pirataria.

Mas dizer que a Microsoft pirateou primeiro, não é uma justificativa para roubar as licenças de software. De fato, ela investiu do próprio bolso muito dinheiro para desenvolver o Windows 95.

De lá para cá a estrutura básica do Windows sofreu alterações é verdade, mas como inovação tecnológica o Windows Vista ainda guarda impressionantes similaridades com seu bisavô, assim nem todo desenvolvimento do Vista começou do zero.

Quanto custaria para desenvolver um Windows?

O que a Microsoft cobra é justo? Difícil responder, mas podemos estimar os ganhos. Desde o Windows 95 a Intel um dos maiores fornecedores de processadores para essa plataforma já fabricou aproximadamente 3 bilhões de micro processadores. Nem todos eles usam Windows, mas a Intel não é a única nesse mercado. Assim vamos assumir para efeito de cálculo que cada Intel estivesse rodando um Windows e que cada um tivesse pagado uns 30 dólares de royalties à Microsoft. Só nisso ela teria arrecadado 90 Bilhões de dólares nos últimos 13 anos.

Essa quantia me parece suficiente para bancar TODOS os custos de desenvolvimento do Windows desde o 95 até o Vista. Só no ano de 2008 a Intel chegou a produzir 200 milhões de processadores. Imagino que uns 30 dólares por processador (US$ 6 Bi) seriam suficientes para reescrever toda uma nova versão do Windows.

Entretanto a Microsoft cobra entre US$ 100 e US$ 600 por windows instalado em microcomputador legalmente de sua versão mais recente do Windows. Ou seja, se fossem cinqüenta dólares de lucro líquido médio em cada Windows vendido e que todos os processadores Intel vendidos (não se esqueçam que existem outras marcas) estivessem executando uma versão oficial do Windows daria para imaginar que a Microsoft lucraria só no último ano algo como 10 Bilhões de dólares!!!! Na realidade a minha estimativa parece bem rasoável, já que em 2008 a Microsoft lucrou líquido (sem P&D) 17,6 Bilhões de dólares segundo o Yahoo Finance (http://finance.yahoo.com/q/is?s=MSFT&annual) uma vez que eu só estou estimando o Windows e com base em processadores, até que não é um paplite ruim.

Você consegue imaginar o quanto dinheiro é isso? Para se ter uma idéia o PIB do Uruguai é de cerca de 19 bilhões de dólares! Ou seja a Microsof lucra mais que o PIB de nações!

Não estou sugerindo que a Microsoft não deva ganhar dinheiro, mas é óbvio que se ela vendesse ao consumidor final o Windows por download por algo como US$ 10 ela teria um lucro fantástico, por que a maioria das pessoas não se recusaria a pagar um valor tão baixo e apenas um pequeno grupo insistira em correr o risco e comprar uma versão pirata sem atualizações e suporte. A distribuição por download seria muito lucrativa para a MS que não teria custos de embalagem, distribuição, seguro, meio fisco, etc. Mas se alguém quisesse comprar a caixa física nas lojas por US$ 35, seria um preço justo.  Isso acabaria com a pirataria!

Quão caro é desenvolver um software?

A Microsoft divulga os seus investimentos. No ano passado (2008) ela investiu em pesquisa e desenvolvimento US$ 8 Bilhões (fonte: Yahoo! Finance). Seguramente a maior parte não foi Windows, além do Office ela faz centenas de outros produtos, muitos deles direcionados ao mercado corporativo. Os novos produtos (concebidos do zero) exigem sempre muito mais investimento. Além disso, ela provê software e serviços gratuitos, como o explorer, hotmail, messenger, etc. Mesmo com toda a pirataria ela faturou US$ 60 Bi! Isso implica que a Microsoft teve um lucro líquido no ano passado de 70,73%! Nem o tráfico de drogas dá tanto lucro!

E se a pirataria acabasse?

Mas vamos imaginar por um minuto o que aconteceria com a MS se por acaso fosse impossível piratear o Windows e o Office. Vamos imaginar ainda que isso permitisse a MS diminuir seus preços pela metade, supondo que ela fosse benevolente já que com sem pirataria seu lucro seria maior (observe que ela já tem um lucro obsceno mas não baixa os preços).

Uma enorme parcela de consumidores, principalmente os de baixa renda e em países de 3º mundo não teriam condições de pagar um Windows e mais um Office. Assim eles teriam que ir para a única alternativa economicamente viável, ou seja, Linux e o Star Office. Para quem não conhece são versões gratuitas do sistema operacional e da suíte de escritório. Esses sistemas (vou deixar os amantes do Pingüim furiosos) não são tão bons quanto o Windows e o Office. Mas considerando que são gratuitos eles tem um custo/benefício infinitamente melhor. Na realidade eles são muito bons e a cada dia se tornam melhores.

 

Dá para entender como um sistema operacional e uma suíte de escritório conseguiram ser distribuídos gratuitamente? Eles recebem constantes updates e fazem praticamente todas as funções que seus sistemas rivais. Será que alguém é louco de jogar milhões de dólares de desenvolvimento pela janela?

Só se para desenvolver e suportar esses sistemas não seja tão caro assim. O Linux e o Star Office fazem parte de uma idéia, chamada sistemas de código aberto. Onde tudo que se exige dos seus participantes é não cobrar nada pelo software desenvolvido e que ele possa ser distribuído livremente. Até agora eles vem fazendo um trabalho impressionante e muitas organizações como Sun e IBM vem apoiando (com dinheiro é claro) um sistema operacional que é distribuído de graça! Isso não é incrível? Será que eles são loucos?

Mas se o sistema é distribuído de graça e quase tão bom, por que as pessoas pagam uma fortuna por um Windows Vista Ultimate outra por um MS Office?

Como eu já expliquei a indústria de informática necessita de padrões. Imagine que houvesse no mercado centenas de processadores de textos, planilhas e programas de apresentação. Ao enviar um texto para alguém por e-mail provavelmente essa pessoa não teria o mesmo processador de textos que você. Assim ela teria que passar por um processo de conversão de arquivos, que além de aborrecido iria trocar a posição de figuras, o texto escrito pareceria estranho e dependendo dos efeitos utilizados eles poderiam simplesmente desaparecer e não ser convertidos. Imagine agora que essa pessoa edita esse arquivo convertido e envia de volta para você para que você acrecente correções, aí mais um processo de conversão com perdas e falta de compatibilidade. Isso pode se tornar muito mais dramático se você estiver usando uma planilha e fórmulas que não são suportadas pelo concorrente. A planilha chegaria do outro lado inútil. Além disso, cada software necessita de uma curva de aprendizado. Imagine que você chegue para trabalhar e sua empresa usa um sistema operacional e um processador de textos totalmente diferente do que você está acostumado. Você simplesmente iria se tornar um analfabeto digital até adaptar-se a nova plataforma. Ou seja, as pessoas e empresas pagam, só porque elas necessitam da legalidade e, portanto elas não têm "opção". Elas têm que seguir o padrão do mercado! Isso poderia ser considerado como extorsão.


Resistência a mudança.

As pessoas relutam em mudar de sistemas operacionais e programas. Os obstáculos à mudança são grandes. Se fosse impossível de piratear o Windows e o MS Office, as pessoas teriam que se adaptar ao Linux e ao Star Office. Com o tempo, o grande número de usuários faria com que a usabilidade e a depuração fossem cada vez mais sofisticadas. Em outras palavras, mais usuários, mais bugs são descobertos e solucionados, mais demandas de usuários maiores funcionalidades são acrescentadas.

Assim não demoraria muito para que empresas percebessem que as pessoas já vinham treinadas de suas casas para usar Linux /Star Office e que o sistema gratuito seria tão bom quanto o comprado e ainda que se ela adotasse o sistema ela poderia não pagar nada também!

Em alguns anos sistemas esses sistemas se tornariam o novo padrão deixando a MS de fora do mercado.

Surpreendentemente isso não acontece! E a razão é muito simples....

Para que você vai ter que aprender tudo de novo, e usar um sistema operacional e uma suíte de escritórios que é boa, mas que não é a melhor se você pode conseguir a melhor combinação "de graça" através da pirataria?

O maior inimigo do software livre é a pirataria! Graças à pirataria os produtos da Microsoft são amplamente difundidos no mercado e uma unanimidade instalados em cerca de 95% dos microcomputadores e todo o mundo. Se a pirataria fosse combatida eficazmente as pessoas iriam para os sistemas de software livre destruindo assim o monopólio da Microsoft.

Assim por mais paradoxal que seja a Microsoft se beneficia indiretamente da pirataria. Muita pirataria arruinaria seu negócio, mas nenhuma pirataria também. A MS portanto procura manter a pirataria de maneira “controlada” para permitir sua hegemonia. O lema informal é: “Antes os usuários usem o software pirata do que usem o software do concorrente!”.

É claro que a Microsoft poderia desenvolver um programa que tornasse a vida dos piratas um inferno. Um programa que enviasse periodicamente ao fabricante a lista dos programas instalados. Com essa informação ela poderia criar mecanismos de bloqueio dos sistemas operacionais piratas (ela já faz parcialmente isso). Isso poderia estar tão emaranhado no sistema que seria praticamente impossível retira-lo (ela não faz isso). Com essas informações em mãos a Microsoft poderia acionar judicialmente as pessoas que comprassem software pirata.

Lembre-se de que você não compra o software, mas compra uma licença de uso. Assim a propriedade continua sendo do fabricante que pode fazer o que quiser com o software que é dele e não seu. Portanto não seria uma invasão de privacidade! É verdade que seria judicialmente questionável, mas as produtoras poderiam fazê-lo como única forma de controlar a pirataria.

Mas ao fazer isso a MS estaria empurrando legiões de usuários diretamente nas mãos do software de código aberto (grátis). Ela sabe disso! Sabe que as pessoas temeriam por sua privacidade! Ela sabe que seria um imenso tiro no pé. Por isso ela não o faz! Ao invés de lucrar pouco de cada um e ganhar no volume a MS prefere cobrar das empresas que são forçadas a cumprir a lei, de algumas pessoas que pagam pelo software original com medo de serem acionadas na justiça e ameaçar a condenar as pessoas comuns que pirateiam, forçando-as a pagar preços abusivos por conta de seu monopólio.

Isso é justo?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O choro das vídeo locadoras

Com a internet os custos de distribuição simplesmente despencaram. Não dá para reclamar que as locadoras estão fechando só por causa da pirataria.

Se você tem uma locadora de vídeo, sinto muito! Você tem um negócio que de uma maneira ou de outra sairá do mercado, quer seja por causa da pirataria quer seja por outras tecnologias.

Existem quatro coisas que as pessoas odeiam sobre ir alugar filmes:

1- Ter que devolver o filme (pelo menos hoje não é necessário rebobinar).
2- Chegar à locadora e não encontrar o filme desejado e acabar levado um filme de consolação.
3- Ter que ir a locadora para alugar um filme, principalmente quando é sexta-feira, dia de chuva e feriado prolongado.
4- Pressão para assistir logo. Se você não assistir você vai ter que devolvê-lo ou pagar uma multa.

Assim os consumidores estão procurando por novas alternativas.

Se não fosse a pirataria as locadoras iriam morrer assim:

Vídeo On Demmand
Vídeos alugados pela internet através de download sem devolução, sem fila, sem espera pela volta de um filme que já está alugado. Infinitamente mais prático que a locadora. Elimina os três principais motivos pelos quais os consumidores. Existem set top boxes (aquelas caixinhas semelhantes a da TV á cabo) nos EUA em que o usuário liga o aparelho na internet, escolhe pelo controle remoto de um catálogo que faria qualquer locadora morrer de vergonha e selecionar os filmes. Você espera alguns minutos para iniciar o download (dependendo da conexão) e uma vez iniciado você pode começar assistir (o download continua enquanto você assiste). O Windows Media Center já oferece esse recurso aqui no Brasil, mas ainda é limitado.

DVR - Digital Video Recorder
São gravadores de vídeo digital como o Tivo, Sky +, Net HD Max, que tornam o processo de gravação simples e fácil como jamais foi feito pelos videocassetes e gravadores de DVD. Nos EUA Tivo já virou uma palavra do vocabulário e “tivar” um programa é uma atividade corriqueira. Veja o que é um Tivo em http://www.tivo.com/ . O Tivo permite a chamada pausa ao vivo, gravar programas em vários canais simultaneamente e muito mais é inteligente que um vídeo cassete ou gravador de DVD. Você instrui o aparelho e ele fica de olho na grade de programação para gravar aquilo que você gosta. Se você diz que gosta da Série Friends ele pode gravar todos os episódios que passarem em qualquer canal. Mais ainda ele pode gravar filmes e outras séries onde o Joey aparece ou gravar só os episódios inéditos para você. Aliado ao pay per view é uma experiência muito melhor do que a locadora. Ao chegar á noite em casa, você pode ver o que o Tivo “andou gravando” e escolher se você quer ver ou não, apagar o que foi gravado (ele usa um Disco Rígido) e pedir para não gravar mais ou gravar outras coisas. Por exemplo: Grave filmes de ação, mas não os do Steven Segal, grave filmes de suspense que são inéditos e que tenham avaliação de pelo menos três estrelas. Isso é muito melhor que definir hora de início, término e canal.

DVDs one way
É um DVD descartável. Você compra em aeroportos, bancas de jornal, livrarias, e ao abrir ele tem uma camada orgânica que começa a se deteriorar após a abertura. Você pode assisti-lo algumas vezes e depois de um tempo ele para de funcionar. Aí você o joga fora sem ter que devolver para a locadora. Não há fila de espera pelo último lançamento, não há DVD riscado, não requer devolução. Você pode estar em um aeroporto, comprar um para assistir durante a sua viagem em seu notebook e jogá-lo fora ao chegar ao seu destino ou ainda optar por assistir depois no hotel, na volta.

Como fica claro, as locadoras estão condenadas. Essas tecnologias ainda não se espalharam no Brasil por que a pirataria concorre com todas elas. Mas não se engane é por isso que as pessoas preferem um filme com qualidade inferior a ter que sair para devolvê-lo ou não encontrarem o último lançamento. Elas pagam entre 5 e 10 reais por isso no camelô ao invés de pagar entre 5 e 9 reais para alugá-lo legalmente.

Algumas locadoras ainda devem resistir por mais um tempo graças ao nicho do Blu-Ray. Hoje, baixar 50Gb da internet ainda é difícil, mas operadoras como a telfónica já oferecem 30Mbits de velocidade por fibra ótica em regiões nobres de São Paulo. Quanto tempo você acha que vai levar para isso estar amplamente disponível?

Se você tem uma vídeo locadora você vai ficar sem emprego. Ela vai fechar. É inevitável.

Os fabricantes de ferraduras do passado que ficavam reclamando que o seu negócio estava falindo por causa dos carros. Alguém hoje acha de deveríamos voltar a andar de charrete?

A culpa não era dos carros e sim dos ferreiros que deveriam ter aprendido a profissão de lanterneiro, latoeiro ou funileiro (dependendo de que parte do Brasil você é) e não reclamar mais dos carros.


A pirataria é um ponto sem volta. As leis de direitos autorais estão ultrapassadas e vão ter que mudar. A mudança tecnológica não pode voltar atrás! As indústrias de entretenimento e software vão ter que se adaptar. A indústria de distribuição de mídia vai sofrer. Mas não adianta chorar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

TV e pirataria




Como é difícil escrever pouco! Desculpem-me, vou tentar ser mais resumido.

Ao contrário do Cinema, que ainda pode tirar excepcionais lucros das salas de exibição a TV é um desafio diferente. Quando eles comercializam séries antigas em DVD por preços extravagantes eu acho um absurdo porque os custos de produção já foram amortizados. Mas quando são séries novas, o abatimento dos custos deve se dar por publicidade. As margens, portanto são menores.

Você pode achar que a TV aberta é gratuita, mas não é bem assim. É um modelo de três partes. As emissoras produzem, o público assiste e os anunciantes pagam. Assim ao baixar os filmes, ou avançar nos comerciais você não está “pagando” pelo produto.

Muitas séries como Lost ou Desperate Housewives chegam à internet, antes da exibição na TV aberta, fazendo com que a audiência das séries caia. A produção dessas séries mais sofisticadas pode chegar a milhões de dólares por episódio.

Acho que o modelo de TV aberta vai continuar existindo, principalmente para Jornais, eventos ao vivo e novelas. O imediatismo vai continuar existindo. Elas também vão existir para exibir e gerar a própria programação local ou regional. Mas a exibição de séries ou filmes para TV vai sofrer uma mudança radical.

Um dos problemas é que com o modelo atual as emissoras controlam os contratos, a distribuição e exibição. Assim enquanto uma nova temporada não é negociada, os fãs podem ficar a ver reprises. Pode-se decidir que a série que você tanto gosta, não tem audiência no Brasil e assim as duas temporadas finais jamais vão ao ar.

Numa distribuição direta, do produtor para o espectador a distribuição (emissoras de TV e TV a cabo) seria desnecessária, mas o esquema de anúncios também não faria sentido. Assim para viabilizar um modelo economicamente a publicidade poderia ser feita com marcas d’água (semelhante ao logotipo das emissoras no canto, que quase nem é percebido). Apesar de o lucro com esse tipo de publicidade ser bem menor e com uma possibilidade de veicular a mensagem muito mais limitada, o custo de distribuição tenderia a zero.

Assim dá para imaginar que ao invés de baixar o último episódio de Lost e esperar pela “legendagem” voluntária de abnegados usuários. Você poderia se inscrever e baixar no mesmo dia do lançamento, já legendado e isso poderia lhe custar alguns trocados (algo como R$ 1), mas seria muito mais conveniente. Em especial se fosse um esquema de assinatura.

Imagine que só um episódio de Desperate Housewives chega ser baixado do Mininova por um milhão de usuários. Somando-se todos os sites desse gênero e outras formas de P2P dá pra chegar a dois ou três milhões de usuários. Adivinha? Se você faturar um Real de cada usuário e 1,5 Reais de cada anunciante, por cópia baixada fica fácil imaginar um faturamento direto de 1 milhão de dólares. Em um mesmo filme, marcas d’água poderiam ser vendidas por seguimento de 20 minutos e o faturamento poderia ser ainda maior.

O usuário ganha a praticidade e a facilidade do donwload com acesso direto ao lançamento sem reprises. O produtor ganha o seu dinheiro (menos é verdade) e também a difusão do trabalho. Penso que seria um modelo de negócios muito bom, mas que não agradaria é claro as Emissoras de TV.

É claro que para viabilizar as produtoras deveriam adotar o modelo. O que já aconteceu com a série Lost em questão. Veja em: http://en.wikipedia.org/wiki/Lost_(TV_series) – On Line Distribution (em inglês).

Nix.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pirataria no Cinema




Eu tenho dado muita ênfase no mercado fonográfico porque é muito difícil tratar de todos os aspectos e exemplificá-los em todos os mercados ao mesmo tempo. Ficaria confuso e mais longo ainda. Assim eu tenho usado o mercado fonográfico como um exemplo, mas muitas das explanações e argumentos que são válidos para a indústria musical também podem ser extrapolados aos outros distintos mercados (software, livros, fotografia, TV e cinema). Mas outras colocações não. Assim cada mercado necessita de uma abordagem específica sobre o tema.

Mesmo no mercado audiovisual como um todo, temos que dividi-lo em TV, Cinema (DVDs) e Cabo. Por que esses têm modelos de negócio distintos requerendo assim abordagens também específicas. Neste post eu vou falar do Cinema e DVDs de filmes.

Existem algumas diferenças enormes na produção e consumo de filmes e música. Os filmes são muito mais caros de serem produzidos, mas tem uma vida mais curta. A não ser que você seja um cinéfilo, uma criança, ou um fã alucinado por um determinado filme, a maior parte das pessoas assiste o mesmo filme cerca de 5 vezes em toda sua vida em média. Não é um calculo científico, mas empírico. Você pode ver no cinema, depois eventualmente você aluga, assiste na TV a cabo e uma vez mais uma reprise na TV aberta em um dia de chuva. Claro que se você gostar muito você pode ainda chegar a 10 ou 16 vezes. Mas a maior parte das pessoas consideraria isso muito. Os CDs e DVDs musicais pela sua natureza podem ser vistos/ouvidos centenas, talvez milhares de vezes.

Assim filmes têm um período curto para recuperarem os seus custos. Isso fica ainda pior no caso de grandes sucessos do cinema em que os custos dos mega salários dos atores, efeitos especiais e computação gráfica, promoção e distribuição podem chegar as centenas de milhares de dólares. Uma vez que são vistos perdem rapidamente seu valor, pois as pessoas vão demorar muito tempo para vê-los de novo e pagar por isso.

Mas os filmes também têm uma característica única, que é o lançamento nos cinemas, e as produtoras controlam rigidamente esse lançamento e a distribuição. Se um filme “vazar” para a internet em teoria poderiam ser perdidos milhões de potenciais espectadores e a receita proveniente disso, uma vez que se a pessoa já viu o filme antes do lançamento ela em teoria não veria de novo.

Mas a verdade é bem diferente do que afirmam os estúdios. Apesar de um grande lançamento poder chegar à centena de milhares de dólares os ganhos da indústria com o cinema também são estonteantes.

Peguemos o exemplo do filme Homem de Ferro (2008). Esse filme tem um custo estimado de US$ 140 milhões (fonte: http://www.imdb.com/), contudo no fim de semana de estréia 4.105 sessões geraram um faturamento bruto só nos EUA de US$ 102.118.668!

Ou seja, no primeiro fim de semana ele já praticamente recuperou todo o investimento. Terminou sua carreira no cinema com US$ 318 milhões nos EUA. No Brasil foram 2,.811.622 de ingressos vendidos a um valor sub estimado de R$ 5 você teria cerca de R$ 14 milhões de faturamento. Isso tudo ao mesmo tempo em que eram feitos downloads do filme e DVDs com filmagens feitas dentro do cinema vinham sendo vendidos a R$ 5 no camelô da esquina. Fica claro, portanto que um filme como esse arrecada antes das locações, DVDs e das vendas dos direitos para TV a cabo muito mais do que ele custa. Mesmo com a pirataria estando com vento em popa (sem trocadilhos).

Você pode estar pensando, mas nem todo filme é um sucesso. As produtoras têm que arrecadar mais para suprir os riscos dos eventuais fracassos de bilheteria. Vamos analisar a um mega fracasso então, como exemplo Waterworld (1995) com US$ 175 milhões de orçamento, só faturou US$ 88 milhões. Mas se você for ao site http://www.imdb.com/title/tt0114898/business e fizer as contas. Vai ver que em várias moedas apenas nos países listados (o Brasil não aparece na lista), o filme recuperou claramente o custo. Por exemplo, foram £ 8 milhões só no Reino Unido. O filme faturou ainda US$ 42 milhões em locações. Nada mau para um fracasso!

Tudo bem, você pode achar que os estúdios faturam muito para poder fazer filmes que não seriam “comercialmente tão rentáveis” como a Cor Púrpura de 1985, que faturou US$ 98 milhões para um custo de produção de US$ 15 milhões. Isso tudo só com cinemas e nos EUA. Ou Dogma de 1999 que foi um projeto alternativo e muito controverso (fazendo piada com temas religiosos, anjos assassinos e Deus em forma de mulher), foi uma produção de baixo custo para os padrões de lá. Foi um orçamento de US$10 milhões e que faturou 38. Mas a verdade é que normalmente o orçamento desses filmes mais “cabeça”, “controversos” ou “artísticos” é muito inferior e os estúdios em geral sabem o que estão fazendo tomam muito cuidado para não tomar prejuízo com esses filmes.

É claro que existem filmes como As Aventuras de Pluto e Nash (2002), com um orçamento de 100 milhões e que não faturou nem 6 milhões, e que nem com locação e DVD, Cabo e TV recuperou o investimento. Esse filme é listado no MSN news como o maior fracasso da história da indústria cinematográfica. Mas se o filme é ruim assim.... o estúdio deveria arcar com as conseqüências e não esconder sua ineficiência atrás de lucros exorbitantes. Curiosamente a Warner não anunciou nenhum problema ou o risco de falência depois de um prejuízo tão grande! Diferentemente do que aconteceu com a 20th Century FOX que quase fechou por causa de Cleópatra de 1963, com um orçamento de US$ 44 milhões (hoje 259 em valores corrigidos) faturou 26 milhões (153 corrigido), mas que com a carreira internacional, reprises no cinema por volta de 1970 já havia empatado. As locações em VHS mais as licenças para exibição na TV posteriormente fizeram o filme dar lucro!

Desculpe-me por fazê-los passar por todos esses dados e números, mas isso reforça os argumentos a seguir:

A indústria cinematográfica aprendeu com o passado e hoje sabe muito melhor que antes sabe produzir um filme e o fazer dar lucro (não estou analisando aqui os filmes feitos para TV ou distribuídos diretamente em vídeo, que tem uma lógica diferente vão ser temas de outros posts). Assim os filmes ao serem lançados em vídeo já se pagaram com a exibição só no cinema. Mesmo com a pirataria. Alguns filmes até se beneficiam dela. O Filme Tropa de Elite, 2007 que custou cerca de US$ 4 milhões (uma ninharia) faturou nos EUA US$ 8 milhões e R$ 17 Milhões no Brasil. Curiosamente o filme, “vazou” antes da edição final. As pessoas que baixaram/compraram o filme e depois quiseram ir conferir no cinema a versão final. Foi um dos maiores sucessos nacionais! O filme fez sucesso no Brasil e no exterior apesar de ter sido um dos filmes mais pirateados da história do cinema brasileiro.


A experiência de ver um filme no cinema é única. Mesmo pessoas que assistem a filmes piratas regularmente continuam indo ao cinema. A tela grande, o som surround, a pipoca e a experiência não podem ser igualadas a experiência em casa. Mesmo com a inovação das TVs de LCD e Home Theaters. Tecnologias como cinema digital que serão implementadas em breve vão tornar muito mais barato distribuir filmes, do que como é feito hoje com o celulóide. Outros recursos como telas gigantes IMAX (15 metros de altura), salas especiais, 3D vão tornar a experiência ainda mais rica.

Mas e as capturas feitas de dentro do cinema e os “vazamentos”? Eles sempre funcionam na realidade como uma espécie de amostra grátis, sem custo para a produtora. Quem assiste a um filme de ação em Tele Sync ou Screener (esse é o nome que eles dão a esse tipo de pirataria) está assistindo a um filme de baixa qualidade. No final das duas uma, ou essas pessoas não assistiram o filme no cinema de qualquer maneira, porque elas não se importam com a qualidade ruim e não pagariam pela experiência de ver no cinema, ou são tão loucos pelo filme que irão de qualquer maneira ao cinema assim que ele estréia ou então acabam comprando o DVD. Sim, se o sujeito é fã isso realmente acontece! Em realidade os Screeners acontecem por que há um atraso entre o lançamento nos cinemas e o DVDs. Talvez fosse mais interessante deixar o público decidir onde ele deseja ver o seu filme favorito, se na sala de estar ou na sala do cinema fazendo os lançamentos simultâneos de DVD e cinema. Mas é claro que isso seria abrir mão de parte dos lucros, entretanto acho que seria muito bom para todos. Experiências desse tipo demonstram excelentes resultados como o filme Bubble do diretor Steven Soderbergh.

Hoje a exibição em cinemas é capaz de sozinho manter a indústria cinematográfica. Mas seria necessário que as produtoras repensassem suas estratégias de custos produção. Pagar salários de milhões de dólares para ter esse ator ou aquela atriz, não é na realidade uma coisa necessária. Isso acontece por que os atores muito famosos sabem dos lucros e pedem somas exorbitantes e acabam sendo atendidos. Alfred Hitchcock era famoso por contratar atores pouco conhecidos para época e por cachês mais realistas. Nem por isso seus filmes eram ruins ou os atores se sentiram menos recompensados.

A indústria também sabe que mesmo que a história seja um pouco ruim, a mistura certa de efeitos especiais, explosões e computação gráfica são capazes de fazer quase todo filme dar lucro mas os custos também aumentam. Assim eles focam menos na estória e mais na pirotecnia. Enquanto isso os roteiristas seguem sendo mal pagos a ponto de recentemente terem feito greve. Esses filmes “espetaculosos” atraem uma grande audiência, principalmente de jovens (que são maioria esmagadora nos downloads), e faturam alto. A ênfase em filmes desse tipo de filme saturou os cinemas com obras de qualidade artística e cultural pra lá de duvidosas. Reinam os filmes baseados em heróis de quadrinhos e batalhas espaciais (nada contra os gêneros), mas que consomem os recursos e retiram espaço de filmes com enredo de verdade prosperarem. Os filmes capazes de prender a audiência apenas pela estória e sem uma única explosão, sem apelar para os clichês, são raridade.

Conseguir fazer um filme com criatividade, inovação e um bom enredo sejam aceitos nesse ramo, é quase um milagre. Foram necessárias ao Steven Spilberg muitas batalhas, monstros do mar e caçadores de arcas para conseguir filmar a Cor Púrpura. Um filme que não teria aceitação dos estúdios, não fosse a pressão exercida pelo cineasta.

Portanto mesmo com a pirataria a indústria cinematográfica consegue pagar os custos de produção que são claramente exagerados. Mas ainda assim vende os DVD a 49,90 (Que é um preço cartelizado. Ou seja, sem concorrência! Isso é ilegal, mas ninguém denuncia.).

Existe uma “norma” tácita de distribuição. Um filme estréia nos cinemas, depois vai para DVDs e locação e payperview, só depois disso é que vai para o cabo e finalmente para a TV aberta. Nem sempre se segue esse esquema, mas após uns 2 ou 3 anos o filme já está na TV e o DVD pode ser comprado por algo entre R$ 15 e 19.

Há um tempo eu cheguei a encontrar a trilogia De Volta para o Futuro por R$19. Mais barato do que baixar da internet! Se você considerar o trabalho, a energia elétrica o provedor de acesso. Sai mais em conta!

Repare que isso não é encalhe. Isso é com lucro para o produtor. Mas se dá lucro agora mais de 10 anos depois do lançamento do filme, por que não vendiam a esse preço quando foi lançamento? Os custos na haviam sido amortizados já no cinema? Quanto custa para produzir um DVD?

Os números variam de acordo com o tamanho do lote de produção. Nos EUA esse número é de US$ 1,30 para DVD e US$ 1,45 para Blu-ray considerando um lote de 10 mil peças (http://wesleytech.com/ – Blu-Ray x DVD cost analysis) . Você pode estar pensando... “Como é que é? Um Blu-Ray custa 1,45 para produzir e em um filme em que eles já amortizaram o custo de produção eles me cobram R$ 150 por um disco? Isso é roubo!”. É mesmo, da vontade de dizer isso.

Outra coisa que é intrigante é que devido à natureza dos filmes, um CD como Pink Floyd – The Wall pode ser encontrado por R$ 39,90*. Enquanto um DVD do filme pode ser encontrado a R$ 39,90* . Mas o DVD de Tootsie pode ser encontrado a 15,90*. Repare que este último requereu uma nova capa e nova prensagem por ser um lançamento e edição especial de aniversário de 25 anos com extras adicionais. Por que o Pink Floyd não custa um preço parecido? Por que o CD e o DVD custam a mesma coisa se o CD não traz imagens e o DVD tem qualidade de áudio superior?

A realidade é que todos poderiam custar 15,90! Todos tiveram seus custos de produção abatidos e os direitos já foram pagos inúmeras vezes. Mas por que faturar menos se eles podem faturar mais?

Por fim, o peço é 15,90 porque existem os custos de distribuição, logística, seguro, impostos sobre tudo isso. Mas se você distribuísse pela internet onde os custos de distribuição são próxmos de zero, e nem a mídia e nem a capa seriam necessárias, os impostos que chegam a 40% desse valor também já seriam tantos (base de contribuição menor e natureza de impostos menor), esse filme poderia ser vendido com lucro estupendo a R$ 2,00! Você poderia colocá-lo em um pool, como um serviço de TV on-demmand, pagando por mês para ter acesso ao catálogo e baixar qualquer filme quando quisesse e assisti-lo no conforto de sua casa. Algo como uma módica quantia e você teriam acesso a todos os filmes do catálogo, sem limite de download. Pagando as produtoras, proporcionalmente por filme baixado. Não sei se esse modelo fecharia, mas considerando que os custos de produção já foram recuperados seria uma fonte incrível de recursos para as produtoras.

É claro que no modelo atual elas lucram muito mais, e as produtoras vão lutar com unhas e dentes para mantê-lo da maneira que está.

Seria maravilhoso que Hollywood tivesse a mente aberta para as novas tecnologias e tentassem se enquadrar num novo modelo. É claro que isso afetaria mais que os lucros o controle da distribuição. Isso é tão importante que quando foi definido o formato dos DVDs o mundo foi fatiado em 5 regiões para que a distribuição pudesse ser feita e manipulada de maneira a maximizar os lucros das produtoras. A pirataria simplesmente implodiu esse modelo. Quando o VHS surgiu, uma das queixas das produtoras era que filmes originais eram importados e atravessavam as fronteiras, chegando nos mercados antes dos filmes nos cinemas. Para evitar isso foi criado o sistema de regiões nos DVDs, assim se você vai aos EUA e compra um DVD de um show para assistir no Brasil, o seu aparelho não vai conseguir reproduzi-lo (claro que os piratas deram um jeito nisso).

O que acontecia antigamente é que um filme passava nos cinemas às vezes anos de diferença da data em que eles eram lançados nos EUA. Em São Paulo e Rio os lançamentos até eram rápidos, mas nas cidades do interior a demora podia ser enorme. Assim filmes lançados nos EUA chegavam “importados” e eram legendados amadoramente e essas cópias abasteciam os vídeos-clube de todo o Brasil. Com a internet isso ficou ainda pior. Dias depois do lançamento, filmes já estavam circulando por aí.

Para evitar isso a indústria passou a fazer lançamentos simultâneos e mundiais. Filmes como Matrix Revolutions chegaram a estrear na mesma data que quase todo os países do mundo (5/11/2003) em todos os cinemas. Homem Aranha 3 foi ainda mais longe. Estreou em 20 de abril de 2007, enquanto nos EUA foi só 10 dias depois!!!

Quando que poderíamos imaginar que lançamentos de filmes aconteceriam antes aqui do que nos EUA?

Conclusão:

O custo de produção dos filmes é muito elevado e poderia ser mais barato. Assim só com a exibição nos cinemas é possível recuperar o investimento.

Os ganhos exagerados de Hollywood praticamente acabaram com os filmes com boas estórias dando foco na rentabilidade de filmes “espetaculosos”. Isso esconde a sua ineficiência quando produzem péssimos filmes.

A divulgação de cópias pirateadas (Screener) tem pouco efeito no faturamento do filme, por que são de baixa qualidade. Mas o “vazamento” pode inclusive ser benéfico.

Graças a pirataria a distribuição de filmes ficou mais ágil e temos até o privilégio de estréias antes dos EUA. A indústria teve que repensar seu modelo de distribuição.

Nix.

Referências de preços:
* The Wall (CD) 39,90 na videolar
http://www.videolar.com/ProdutoCD.asp?ProductID=012927&cod_sub_media=3906&WT.srch=1
* The Wall (Filme) 39,90 na Ferrs
http://www.ferrs.com.br/produto.asp?wprod=017164&par=buscape
*Tootsie 15,90 na starcineshop
http://www.starcineshop.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=3769&origem=buscape&IDProduto=1547091&q=Dvd+Tootsie+-+Ed.+do+25%BA+Anivers%E1rio+(Dvd+Duplo)&1ST=1&Y=9163425737524

essas referências devem desaparecer rapidamente, mas foram pesquisadas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

5 motivos para NÃO piratear contestados.

Achei justo que para dar um contraponto aos 10 motivos para justificar a flexibilização dos direitos ou a mudança da lei, ou para por fim aos direitos autorais que eu contestasse as 10 maiores alegações contra a pirataria. Só consegui até agora encontrar 5 alegações. Então aí vai:

1. Pirataria ajuda o crime organizado.

É uma das poucas que tem um pouco de verdade. A pirataria profissional que revende CDs e DVDs nos camelôs e shoppings populares necessita de conivência das autoridades e, portanto os criminosos subornam policiais e juízes para que deixem o seu “negócio” funcionar “sem problemas”.
Mas o mesmo lugar onde se vendem produtos piratas, são vendidos produtos falsificados, contrabandeados e outros produtos que variam da ilegalidade a contravenção. Esses lugares e meios existiam antes da pirataria e vão continuar existindo depois dela. Gostaria que as autoridades atacassem todo o problema do comércio paralelo e não só a pirataria.
Pirataria essa, que inclusive agora está até diminuindo, uma vez que as pessoas estão fazendo seus próprios downloads diretamente da internet, sem necessidade de camelôs. É bom lembrar que os arquivos não são mantidos em nenhum servidor central do crime organizado, mas sim nas máquinas de milhões de usuários do sistema de file sharing (sem ganho ou interesse comercial).

Os piratas profissionais já não se concentram mais em CDs que não é mais rentável. O alvo são os DVDs cujo download é ainda muito demorado para maior parte da população.
Mesmo esses DVDs não vem de nenhum país asiático. Só as mídias vêm o download e gravação é 100% tupiniquim .

O crime organizado é um problema de polícia e governos coniventes e da impunidade que reina na justiça. A pirataria só está junto com esses outros itens, como cigarros, máquinas fotográficas, brinquedos, ervas, etc que também deveriam sair do mercado. O fato de a pirataria estar nesses meios é só o efeito da anacrônica lei de direitos autorais que a coloca na ilegalidade.

Uma vez que a largura de banda seja suficiente o download de DVDs vai desaparecer e essa alegação também vai ser completamente falsa.


2. DVDs e CDs piratas podem prejudicar o seu aparelho.

Essa alegação é risível. Assim como a que diz que podem pegar vírus. A leitura é feita por um laser e o reflexo é lido pelo aparelho. A não ser que a mídia tenha um problema de empenamento ou furo fora do centro (nunca vi isso), é que pode existir algum risco. Essa alegação demonstra o desespero da indústria.

Quanto aos vírus, basta manter um bom antivírus atualizado e tomar alguns cuidados básicos. Se o usuário é tão distraído ou inexperiente para pegar um vírus de um software pirata ele provavelmente seria infectado também por um e-mail, malware ou trojan de qualquer forma.


3. O governo perde milhões em impostos.

Alegação é tendenciosa e alega valores inverídicos.

Apesar de existir uma queda na arrecadação pela não venda de CDs ou DVDs nem todo consumidor de produtos piratas compraria o produto original. Assumir que quem gasta R$ 50,00 em 10 DVDs pagaria R$50 nas lojas por um DVD original é ser ingênuo. A maioria dos consumidores de baixa renda (maioria absoluta na venda de piratas) simplesmente não compraria se fosse um DVD só.

Mas se a alegação é verdadeira então as locadoras de vídeo deveriam ser responsáveis pela perda de arrecadação na venda de DVDs. Pois em geral quem aluga não compra. A TV a cabo também, pois quem assiste a um filme a no payperview 1,99 não paga os mesmos impostos da locação de R$8 e da venda e R$50.

Presunção de arrecadação não é arrecadação. As mesmas companhias que defendem o fisco com um fervor quase nacionalista, em sua contabilidade fazem de tudo para escapar dos impostos, quando até mesmo contribuem com a sonegação. Existem várias das pequenas lojas de CD se quer dão nota fiscal. Não vejo as gravadoras denunciando essas lojas que não pagam impostos também, no mínimo isso é tendencioso.

4. Os artistas/autores merecem o pagamento justo do seu trabalho.

Também acho. Mas em geral as gravadoras sonegam os direitos dos artistas e só pagam direitos a “elite” dos artistas mais prestigiados.
Um músico pouco conhecido que ajuda a gravar um instrumento de um álbum de um grande artista, por não ser conhecido, recebe um cachê pelo trabalho e não vê um centavo de direitos.

Artistas em começo de carreira aceitam praticamente qualquer coisa que a gravadora lhes oferece apenas para ter a oportunidade de gravar um disco. Em geral os músicos ganham pouco dinheiro com direitos. Quem enche os bolsos são as gravadoras.

O que as gravadoras agregavam no passado, como estúdio, produção, arranjo representam uma pequena parte do custo total da produção de um CD e mesmo esses custos estão caindo ao ponto de muitos artistas, mesmo amadores, terem seus próprios estúdios em casa.

A produção cinematográfica em proporção menor também tem ganhado muito em custos com a digitalização e também paga aos atores, dublês e produtores cachês fixos, ficando sempre com a maior parte do bolo da receita.

Apenas atores “reconhecidos” recebem cachês milionários o restante se contenta com uma pequena parte e a fama. Os “arrasa quarteirão” como Homem Aranha e Senhor dos Anéis chegam pagar os seus custos de produção nas primeiras semanas de exibição nos cinemas.

Muito antes de ir para o DVD a maioria dos custos produção já estão pagos. Um DVD em seu lançamento custa 49,90.
O curioso é que um preço padronizado em todas as lojas. Isso se chama cartel.... cadê o ministério público que não investiga isso?

Como uma pessoa normalmente vê um mesmo DVD uma meia dúzia de vezes (diferentemente do CD que pode ser ouvido centenas de vezes), os discos se desvalorizam rapidamente.
Apesar de conter áudio de maior qualidade que o CD e vídeo (que não é suportado pelo CD), em poucos meses (a exceção dos DVDs de shows musicais) chegam a custar menos de vinte reais nas lojas. Ainda assim dão lucro.

Como pode ser que um filme que custa muito mais caro de produzir que um disco, seja vendido nas lojas a um preço menor que um CD, mesmo com o DVD tendo som e imagem? Seguramente existe dinheiro para pagar os artistas e autores apesar da pirataria. Um novo modelo de nogócios tem que ser criado para suportar esse tipo de indústria. (Depois eu escreverei um artigo só sobre isso)

No caso da música a Apple Store vem montando um modelo de negócios (veja nesse blog) que mostra como é possível pagar aos artistas pelo seu trabalho no mundo digital.


5. A pirataria elimina empregos.

Sempre que existem grandes mudanças tecnológicas existem mudanças do mercado de trabalho. Quando vieram os carros, os ferreiros ficaram desempregados, quando veio o telégrafo os mensageiros ficaram desempregados, quando veio à automatização bancária, vários bancários ficaram desempregados, quando veio o disco de vinil, músicos ao vivo ficaram desempregados.

Mas ninguém voltaria à carroça, ao fonógrafo, ao mensageiro, ao banco sem automação. Estamos em um limiar tecnológico e os mercados de locação de vídeo e venda e distribuição de CDs vão ser afetados.

Mas esses mercados seriam afetados pela tecnologia independentemente da pirataria. Seja pelo vídeo on-demmand, payperview ou pela venda de músicas legalmente on-line. A pirataria só está acelerando um processo inevitável.



Como se vê os argumentos da indústria não resistem. Se você souber de mais algum argumento (Exceto – Pirataria é Crime, que é o que eu estou tentando mudar com esse blog), seja bem vindo e deixe um comentário.

Nix

10 Motivos

Outro dia, eu vi uma pessoa dizendo que pirateava por que não tinha condições de pagar pelos CDs ou DVDs por que eles eram muito caros.

Existem muitos motivos para defender a pirataria, mas dizer que é a favor por que não tem dinheiro para pagar é o mesmo que dizer que é certo roubar um carro por que não pode comprá-lo. É uma alegação falha e errada.

Eu não concordo com a comercialização de direitos autorais e acho que a lei tem que ser mudada.

As forças que mantém a lei e o atual status quo são enormes e poderosas. Por isso a imprensa (que deveria ser livre) não defende a descriminalização e nem ataca as indústrias de mídia, por que afinal a própria imprensa faz parte da mídia. Daí por que é tão difícil lutar pela flexibilização ou até mesmo a extinção dos direitos autorais.

Se você precisa de argumentos pra defender o ponto de vista da liberalização de conteúdo é melhor usar outra justificativa além de “não tenho dinheiro”.
Seguem então 10 motivos racionais pelo quais a pirataria deveria deixar de ser crime:

1. Faz parte da natureza humana copiar.

É copiando que se aprende a falar, dançar e a fazer tudo na vida. O ser humano imita para poder aprender. É da sua natureza! É assim que falamos a mesma língua, usamos as roupas da moda, passamos nossas tradições para nossos filhos e aprendemos tudo que sabemos. Por isso não é na maioria dos casos, considerado violação de direitos quando se aplicam conceitos ou idéias aprendidas em uma obra. Mas agora a cópia está muito mais fácil do que jamais esteve. É natural que as pessoas sintam necessidade de copiar e se for fácil elas vão fazer. Qualquer força que tentar impedi-las de fazer isso vai lutar contra os fundamentos mais básicos da natureza humana e vai encontrar enorme resistência. É por isso que as pessoas instintivamente acham que é certo copiar.


2. É impossível deter a pirataria.

Os computadores e a internet foram concebidos para copiar e compartilhar informação. Faz parte da sua concepção intrínseca. Quando uma informação trafega pela rede ela é copiada dezenas de vezes, de um roteador a outro, ou de um servidor a outro até chegar a seu destino. Simplesmente o ato de navegar nessa página, já faz com que esse texto esteja copiado localmente no seu computador (Cachê), na memória RAM e na memória de vídeo. Uma vez que ela esteja nesses lugares você poderá copiá-la para onde quiser. Para impedir a pirataria seria necessário "desinventar" os computadores e a internet ou redesenhar a forma como eles foram concebidos.


3. Invasão de privacidade.

Para que o combate a pirataria seja bem sucedido as poderosas indústrias da mídia e do software teriam que invadir a privacidade de todos os computadores para fiscalizar o que é ou o que não é pirata. Ou invadir os provedores de acesso, para saber o que está sendo copiado, censurar os sites de busca. Isso invade as suas liberdades individuais e a privacidade. A indústria de mídia vem tentando de diversas formas obterem esse controle, com algum sucesso. Mas isso é simplesmente inaceitável, por que viola alguns dos mais importantes direitos do cidadão. Uma coisa é obter um mandato de busca para quebrar o sigilo de um terrorista ou um pedófilo. Em princípio é um número limitado de pessoas que praticam esses atos criminosos em que podem ser concedidas pela justiça a quebra do sigilo. Mas a pirataria é praticada por quase toda a população que tem acesso a computadores. Seria invadir a privacidade de todas as pessoas por que seria impossível obter autorização judicial para todo mundo. Não dá para separar o tráfego pirata do não pirata e não dá para violar um direito para proteger outro.


4. Cerceamento a liberdade de expressão e censura.

O controle dos direitos autorais faz com que fique na mão de poucos a decisão do que deve ou não deve ser gravado, impresso. Com base nesse controle esses grupos de mídia decidem o que vai fazer parte da sua cultura ou não. Em última análise eles cerceiam a liberdade de criação, de expressão dizendo quem pode ou não publicar um livro, ou que música deve ser ouvida ou não. Além disso, pode ser usado como uma forma de censura. A imprensa, por exemplo, não divulga nada que seja pró-pirataria porque ela é parte da mídia.


5. Democratização do acesso a informação e a cultura.

A pirataria espalha e divulga a cultura e informação de uma maneira sem precedentes na história da humanidade. A diversidade de artistas, filmes e livros que podem ser acessados é simplesmente estonteante. Isso ainda sem a descriminalização. Veja só o que é capaz de fazer um site como o Google só com o que está apenas disponível on-line. É uma ferramenta fantástica. O Google tem um projeto (Google Books) onde a idéia é indexar todos os livros que já foram publicados no mundo. Mas isso tem esbarrado em acordos e leis de direitos autorais. Imagine o valor disso quando, um pesquisador, estudante ou um profissional necessitar saber algo. Sem as leis de direitos autorais o conhecimento humano poderia expandir-se de forma inacreditável.


6. Lucros abusivos dos detentores dos direitos.

Os direitos autorais se baseiam no bizarro conceito de trabalhar uma vez e ganhar muitas vezes pelo mesmo trabalho. Apesar de inicialmente (na publicação de livros) ser um conceito que tinha certa validade, pois os riscos editoriais e os custos eram altos, a era digital fez os riscos e os custos produção caírem drasticamente. Fazendo os conceitos de direitos autorais ficarem obsoletos. É claro que os artistas e autores devem receber por seu trabalho. Assim ao escrever um livro ou gravar um disco esse custo de produção deveria ser único pelo trabalho. Mas o valor deveria ser dividido em partes cada vez menores quanto mais esse custo fosse amortizado. Não faz sentido que uma pessoa/empresa fique multimilionária por que vendeu milhões de CÓPIAS do original. O trabalho em questão é apenas de distribuição e divulgação. No meu trabalho eu o faço uma só vez e recebo uma vez. Acho que todos deveriam ganhar seu sustento assim.


7. Um peso e duas medidas.

As próprias empresas da mídia violam corriqueiramente os direitos autorais (como já foi dito anteriormente nesse Blog) ou aplicam esse conceito só quando é vantajoso para elas. Se você levar um disco de vinil em uma loja e tentar trocá-lo por um CD apenas pagando os custos da mídia (Cerca de R$ 1,20), vão achar que você é maluco! Mas, faria todo sentido! Se você pagou pelos direitos quando comprou o vinil, é absurdo pagar pelos mesmos direitos novamente quando você compra o mesmo conteúdo em CD! Quando se alega isso, as gravadoras afirmam que venderam o direito de ouvir a obra em uma única mídia. Mas isso não é verdade, pois a lei me dá o direito de gravá-lo uma fita K7 ou ripá-la para MP3 sem que isso constitua infração do direito autoral. Caso contrário, CD-R, DVD-R, Fitas (K7 e VCR) e seus aparelhos além de tocadores de MP3 seriam ilegais.


8. Leis absurdas.

As leis de direitos autorais são leoninas, absurdas e são de difícil interpretação e cumprimento. É praticamente impossível a um cidadão viver sem violar alguma lei de direitos autorais. Seja ao xerocar um livro para um trabalho na faculdade, pois a lei não especifica qual é o conceito de “pequeno trecho”, seja ao dar uma festa com música (o conceito de intenção de lucro pode ser aplicado até ao condomínio do prédio que aluga o salão), seja ao encaminhar um e-mail com uma apresentação em PowerPoint, seja ao gravar um episódio da TV e emprestá-lo a um amigo. Se você aplicar a lei ao pé da letra até mesmo um churrasco com os amigos pode ser uma violação se você cobrar pela carne e cerveja e ouvir música de um CD original durante o evento. Sendo assim acabamos todos sendo criminosos! Por falta de conhecimento, mesmo muita gente que acha que não pratica a pirataria o faz sem perceber.


9. Modelo de negócios atual ficou obsoleto.

O modelo de negócios em que você "prende" uma obra em um meio (plástico, papel, fita magnética, etc.) e cobra por isso está ultrapassado. Com a era digital a obra ficou independente do meio físico e pode ser transportada e distribuída sem custo nenhum. Não é simples cobrar por uma obra se ela não está enclausurada dentro de um meio físico. A indústria de mídia vai ter que encontrar novos modelos para viabilizar o pagamento do trabalho de maneira justa. É hora de essas empresas repesarem suas margens de lucros excessivos para se adequarem ao negócio da mídia digital e criarem maneiras de tirar algum dinheiro disso.


10. Multiplicidade de autores e diversidade de conteúdo.

Até recentemente os meios de distribuição de conteúdo eram sempre de poucos autores para muitos usuários espectadores. As pessoas não eram autoras nunca contribuíam para a autoria ou interferiam nas obras já criadas. Seja da gráfica para os leitores, seja da gravadora/rádio para os ouvintes, seja das produtoras/emissoras para os telespectadores ou dos desenvolvedores de software para os usuários. Os canais de produção e distribuição não deixavam muito espaço para os amadores. Mas com a queda nos preços da produção e distribuição, qualquer pessoa pode escrever e publicar na internet sem interferência de um intermediário. Hoje o You Tube, no My Space, e os programas open source são exemplos de criações do público para o público. Qualquer um pode agora pode ser autor, pode pegar o trabalho de outro modificá-lo e distribuí-lo. Isso é sem precedentes na história da humanidade e sites como a Wikipédia mostram o poder que isso tem. A Wikipédia tornou todas as enciclopédias de papel obsoletas. Entretanto os direitos autorais proíbem que essa revolução seja ainda maior, pois para cada conteúdo produzido individualmente existe o potencial de um sem número de violações de direitos. Da mesma maneira que eu posso hoje “samplear” ou “remixar” uma música e fazer outra completamente diferente ou um em software como o Linux pode agregado em modo colaborativo tornando-o cada dia melhor isso também já acontece moderadamente com os vídeos e os livros poderão seguir em breve esse caminho novo e fantástico. O único empecilho são os direitos autorais.

Nix

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Falsificação e Pirataria

É preciso separar pirataria de falsificação. Pirataria de software, músicas, filmes e livros são cópias idênticas ao original, que não tentam se passar pelo original. O produto original não é afetado diretamente e quem copia ou compra a cópia sabe que está comprando uma cópia. A falsificação é quando um produto tenta se passar pelo original, com um preço menor e qualidade em geral muito inferior. Nesse caso não só é um crime de propriedade intelectual, mas também um crime de estelionato. Já que o consumidor está sendo enganado e não é conivente com a prática como no caso da pirataria. Em resumo ela leva um produto, mas desejava levar outro.

As falsificações são de 3 tipos:

1) Produtos praticamente idênticos ao original.
Isso acontece quando o produto adquire uma “aura” de especial que faz com que ele seja vendido muitas vezes acima do custo. Assim é possível aos falsificadores fabricarem um produto com qualidade similar e vendê-lo a um preço muito menor. Por exemplo, uma bolsa da Luis Vuitton pode custar uns R$ 14 mil ou mais nas lojas. Na china é possível produzir uma bolsa com a mesma qualidade por custo muito inferior. O custo de produção sem impostos, distribuição e marketing pode chegar a ser menos de cem reais. Mas a Luis Vuitton as vende a esse preço elevado por que ela faz um Marketing que torna seus produtos desejáveis (aumentando a procura) a ponto de alguém pagar muito mais pelo produto do que ele custa de fato. Fábricas terceirizadas na china que fabricam a própria bolsa original com o mesmo material e métodos de produção do original, desviam a produção e revendem o produto no mercado paralelo por 1% do preço das lojas. Uma barganha!

Nesse caso a qualidade é idêntica ou quase, alguns etiquetas ou fechos são fornecidos pelo detentor da marca, para garantir a originalidade então eles produzem cópias desses detalhes para montar o produto final.

Os psicólogos podem tentar explicar por que uma pessoa paga muitas vezes mais por um produto só por que ele é de uma determinada marca.
Apesar de eu não concordar com esse desvio, pois esse esquema de produção leva corrupção e até roubo (por exemplo, etiquetas originais do prduto podem ser roubadas para suprir o paralelo) isso mostra claramente que o produto está sendo vendido sob uma margem de lucro abusiva. Nesse tipo de negócio as margens chegam a ser superiores à do tráfico de drogas.

Como isso pode ser possível? Um negócio lícito pode ter esse tipo de ganho? As grifes usam técnicas de marketing e psicologia para tomar o dinheiro de uma pessoa que fica praticamente indefesa (é sério a estudos com relação a isso) e acaba comprando seu produto com preço extremamente majorado. É como tirar doce de criança.

Há de se perguntar se é ético manipular a mente das pessoas dessa forma para conseguir obter esses ganho. Mas em fim isso é válido no capitalismo e também não é ilegal. Mas com preços tão altos fica claro por que a falsificação acontece.

Outro exemplo que eu vi com os meus próprios olhos foi de um grande fabricante de tecidos de Denim (jeans) que não fabricava as vestimentas, mas sob contrato negociava com confecções terceirizadas para fabricarem roupas. Os fabricante de tecidos então repassava o produto final aos detentores de marcas como famosas e também as mais populares.
O problema era que as confecções apontavam perdas de produção exageradas, mas o fabricante do Denim desconfiava desses números. Eles achavam que as confecções estavam desviando ilhoses, etiquetas, zíperes para o mercado paralelo. Não era roubo uma vez que a confecção pagava pela perda do produto. Mas se a fábrica de tecidos enviava mil etiquetas ela esperava receber algo como 990 calças prontas, mas a confecção alegava uma perda maior e voltavam com 800!
E por que isso?
O custo de produção das calças girava em torno de R$ 12 (sim é verdade, a calça pronta com tecido e tudo, só faltavam a distribuição e o marketing no preço). Mas a calças de grife chegavam a ser vendidas por 30 vezes mais nas lojas pelas grifes! As populares, mesmo sendo feitas na mesma máquina e mesma matéria prima eram vendidas por muito menos. O que as diferenciavam eram os modelos e o caimento. Ficava evidente que o lucro das grifes enorme e por isso as calças de marcas populares tinham perdas muito menores! As confecções vendiam no mercado paralelo com um lucro fenomenal. Uma boa margem de lucro nesse ramo é algo que beira de 10 a 15% elas conseguiam 100%.

Mas o pote de ouro estava em outra forma de venda paralela. A grade de produtos como calças fabircadas pelas grifes ia por exemplo ia do tamanho 28 até o tamanho 40. Os tamanhos ainda eram produzidos menores que os tamanhos médios do mercado. Então 40 na realidade era equivalente a um 38.

Por que as grifes fazem isso? A idéia era fazer que uma cliente obesa não consiga vistar as roupas da grife. Alugmas mulheres que usam 34 ao ver que não cabiam no modelo, não adimitiam comprar uma calça maior. Ao invés elas tentam emagrecer para visti-las. Assim só aquelas com que são magras como as modelos podem vesti-las! As confecções sabiam disso. Então elas vendiam no mercado paralelo as mesmas calças “legítimas” com os tamanhos 42 a 56 ao mesmo preço das de grife obtendo um ganho ainda maior! Essa não é uma prática perversa? É claro que não há nada de ilegal no que as grifes estão fazendo, mas não me parece ético.

2) Falsificações de qualidade inferior.

Elas ocorrem quando o produto original é muito vendido, mas não a um custo que compense fabricar um idêntico ao original. Nesse caso há uma intenção clara de lesar o consumidor. Isso seguramente é um crime e algumas vezes hediondo! Por exemplo. Imagine que existem criminosos quem fabricam próteses para cabeça de fêmur falsificadas. Imagine um implante desses que é colocado no seu corpo, mas é rejeitado por estar contaminado por que a falsificação não adotou os procedimentos de esterilização adequados. Não defendo esse crime e acho que pessoas que fazem falsificações como essas deveriam ser presas por toda a vida.

Contudo isso demonstra outro anacronismo que são as patentes. É óbvio que as empresas que desenvolvem um produto como esses necessitam investir muito em pesquisa. Se não houvesse as a proteção da propriedade intelectual não haveria um interesse econômico para que elas desenvolvessem produtos como esse. As patentes, entretanto, garantem um “monopólio” do mercado que deveria ter a função de permitir que as empresas recuperassem os seus custos com pesquisa e desenvolvimento. O problema é que em não havendo nenhuma concorrência ao conseguir recuperar seus custos as empresas não baixam os preços. Isso acontece em outros mercados corriqueiramente, por exemplo, na área de tecnologia de informática. Um novo disco rígido com alta capacidade requer muita pesquisa e desenvolvimento. Quando são lançado custam caríssimo. Após os custos de desenvolvimento terem sido amortizados além da escala de produção os preços caem dramaticamente. O curioso é que com o passar do tempo, aquele novo disco vai ficando obsoleto e consequentemente a economia de escala diminui, mas nem assim os preços sobem. Quando as empresas mantém seus preços elevados após a amortização de seus custos de desenvolvimento ela cria espaço para a falsificação.

Pense nisso: Fabricar uma prótese de cabaça de fêmur falsa não é um trabalho simples. Requer pesquisa (mesmo para fazer uma falsa, pois por exemplo, como saber que materiais mais baratos podem ser usados?), desenvolvimento de moldes, montagem de uma linha de produção, desing e impressão de embalagens, manuais e etiquetas, com qualidade suficiente que consigam enganar médicos e hospitais. Além disso, uma prótese mesmo que falsa, não pode se soltar ou não exercer sua função básica no dia seguinte após a cirurgia. Se assim fosse o médico ou o hospital rapidamente suspeitariam do fornecedor e a reclamação dos pacientes ficaria óbvia. Assim a prótese tem que ser minimamente funcional, ela não pode ser uma imitação tosca.

Considere que o preço de venda da prótese falsificada tem que cobrir os gastos com a corrupção, valer risco de ser pego. Para isso eles devem ter uma margem de lucro obscena, mas ainda assim eles tem que ser mais baratos que o original se não o golpe não funciona.

Uma vez mais eu repito. Eu não defendo esse tipo de crime, mas dá para imaginar quantas vezes o preço do produto original é mais caro que o custo para que os criminosos achem que “vale a pena” montar todo um esquema de falsificação desses. Fica evidente que o preço do produto orignal é muito majorado. Mas quando se tratam de produtos médicos, por exemplo ninguém quer questionar os custos dos fabricantes. Afinal eles devem estar tentando fazer o melhor para médicos e pacientes. Será? Quem garante que os produtos realmente não poderíam ser mais baratos em um monopólio? Hoje as patentes são concedidas por prazos fixos como 10 ou 25 anos dependendo do tipo produto e de patente. Penso que as defesas da propriedade intelectual em casos como esse deveriam ser vinculadas ao custo do desenvolvimento, durando apenas o tempo de amortizar esses custos, talvez um pouco mais para cobrir riscos e outros gastos indiretos.

Seguramente, devido aos preços artificialmente inflados de muitos aparatos médicos, muitas pacientes acabam não tendo acesso aos tratamentos e produtos médicos por poderem arcar com esses custos. Outras vezes esses custos são cobrados do seguro saúde, assim fica mais fácil infla-los uma vez que o preço final não e sentido pelos segurados. Mas em última análise acaba sendo pago pelo paciente.

3) Produtos evidentemente falsificados ou similares.

Existem produtos que tentam surfar na onda de sucesso dos outros produtos. Por exemplo, imagine que você vai comprar um tocador de MP3 da marca AIPODE. Você dificilmente seria enganado! Você provavelmente deveria estar ciente que está comprando um produto de qualidade inferior. Se você concorda com isso, não há problema. Desde que esses produtos, paguem os impostos e deixem claro aos consumidores que se tratam de imitações baratas não tem por que ser um problema. Na realidade isso é até mesmo um elogio ao sucesso de determinadas marcas. Um exemplo interessante é de um modelo brasileiro do Porsche 550 Spyder que era uma réplica não autorizada, mas que ficou tão famosa que acabou recebendo a benção da própria Porsche desde que constasse em lugares discretos “Porsche by Kramer Design” como forma de identificar que se tratavam de réplicas. Nem todo produto similar é ruim. Às vezes um pen drive da “Sam Disk” (o original é o Sandisk) vai funcionar de maneira semelhante ao original e sem muitos problemas, o que os torna mais baratos é que eles não têm o marketing e a fama dos produtos originais. É mais caro nesse caso fabricar um produto com defeito (uma fábrica de memórias defeituosas eliminaria o ganho de volume fazendo com que as defeituosas ficassem mais caras), do que fabricar-los direito. É claro que existem produtos similares de pior qualidade. Mas não vejo problemas em relação a isso desde que os compradores estejam informados que não se trata do original. Muitas vezes produtos como esses são vendidos mais baratos em camelôs ou em shoppings populares mais por que são contrabandeados. Mas isso é um problema de contrabando e não de pirataria ou falsificação. Esse problema tem a ver com outros assuntos que são os impostos de importação abusivos e a carga tributária insana praticada no Brasil. Acho que todos os produtos devem pagar seus impostos, mas 40 ou 50% de impostos é uma questão para ser discutido em outro fórum.
 
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